24 de fev de 2011

Sonho de cruzar a Carretera Austral adiado em uma curva

Eu ainda estava maravilhado com as paisagens daquele sabado, rios, lagos, cordilheira e picos nevados com a primeira neve do ano, vulcão, parques nacionais.
Quando me dou conta, entre um e outro milésimo de segundo, a moto estava derrapando em direção ao guard-rail de concreto, e nesse espaço de tempo ainda  deu tempo de usar a técnica para cair em curva evitando que a moto caia em cima do corpo,  não sei se por milagre ou por um acaso da sorte consegui colocar em pratica o que eu tinha aprendido durante muitos anos de Motociclismo, quando percebi que a queda era inevitável deitei ainda mais a Moto e deixei que ela deslizasse na minha frente e por sorte quando eu realmente caio já estava bem próximo da grama. A moto bateu num pilar de concreto e parou, eu continuei deslizando e também bati com as costas num outro pilar de concreto, naquele momento pensei no pior, minha vista escureceu na hora e devido à pancada nas costa me faltou ar e num relance de preocupação me lembrei da minha família e como num pesadelo imaginei o trabalho que iria dar a eles se eu morresse ali tão longe de casa. Passado alguns segundos eu ainda meio grogue despertei com um barulho de motor, foi quando me dei conta que aquele barulho vinha da minha moto que continuou ligada e acelerada mesmo depois da queda. A  falta de ar momentaneamente passou e no lugar veio uma dor nas costas, eu pensei comigo vou ficar aqui parado até chegar socorro, passaram-se alguns minutos e nada de aparecer alguém. Consegui levantar uma mão, levantei a outra, percebi que apesar de doloridas só tinha um pequeno arranhão na mão esquerda, continuei ali deitado imaginando o estado das minhas pernas, apesar de não sentir dor alguma nelas, pensei que elas estivessem destruídas, mas conforme eu ia me restabelecendo percebi que minhas pernas também estavam bem, minhas preocupações se voltaram para minhas costelas elas sim doíam muito, continuei ali parado esperando ajuda. Eu tinha certeza que tinha quebrado algumas vértebras, principalmente por causa da falta de ar que sentia e também porque percebi quando bati minhas costas contra pilar de concreto, passaram-se longos minutos e nada de  ninguém chegar, foi quando me lembrei que aquela Ruta estava dentro do parque nacional Lanin alem do mais, interditado em alguns trechos para manutenção, não ia ser fácil passar alguém naquele horário para me socorrer e já que não tinha acontecido nada com minhas mão e pernas resolvi tentar me levantar, mesmo com medo de ter fraturado alguma costela ou pior ainda a minha coluna.
Percebi que eu mesmo teria que me socorrer e tentar pedir ajuda, fui me levantando bem devagar e como num milagre consegui me sentar e constatar que nada de grave tinha acontecido comigo a não ser um grande calombo em baixo do cotovelo do braço direito e um arranhão profundo na mão esquerda, ainda meio zonzo consegui me levantar, tirei o capacete e fui desligar a moto que gritava muito alto como se ela tivesse sentindo toda a dor que era para eu estar sentindo, um silencio terrível invadiu a cordilheira e num gesto do mais completo egoísmo da minha parte comecei a sentir raiva por ter me colocado naquela situação, ainda bem que nem deu muito tempo de sentir raiva,foi quando passou por ali o primeiro carro que parou imediatamente para saber o que tinha acontecido, em instantes chegou mais dois carros e todos desceram para me auxiliar, naquele momento eu já estava em pé tentando recolher minhas coisas que estavam espalhadas pelo chão, e mesmo eu dizendo que Estava tudo bem comigo me fizeram  deitar novamente e esperar socorro, um deles havia Radio PX no carro e entrou em contato com o Guarda Parques que estava em treinamento no lago Faulkner ali bem próximo de onde eu havia caído, enquanto esperava-mos a chegada do Guarda Parque eles terminaram de juntar minhas coisas que espalharam-se na queda, documentos, maquinas fotográficas, celular, mapas, e o pingüim meu mascote... Levantaram a moto, foi quando eu senti aquela dor com sabor de frustração, me doeu muito, muito mesmo ver minha companheira com as duas  bengalas entortadas, carenagem toda destruída,para-brisa quebrado, guidon amassados, protetores de mãos totalmente ralados, roda dianteira amassada. Na verdade o que doeu, foi perceber que ali naquele momento teria que adiar o meu sonho de cruzar a Carretera Austral .
Em menos de dez minutos o Guarda Parque chegou e
depois de uma consulta superficial ele constatou que dava para me levar ate um ponto de apoio que ficava num camping  proximo ao lago Falkner. com ajuda dos outros colocaram a moto em cima da camionete dele.  Ainda meio dolorido agradeci como pude daqueles que pararam para me auxiliar e rumamos para o camping.

San Martim de los andes


San Martin de los Andes a bela e pequena cidade andina encravada no vale, de ruas retas, calçadas largas, quase aos pés do vulcão Lanin que numa comparação livre quer dizer o inativo em alusão ao vulcão Chileno do outro lado da fronteira este sim ativo até hoje, e espelhada pelo lago Lacar, era um final de tarde muito frio, poucas pessoas na rua, apesar do tamanho da cidade não percebi grandes movimentações do comercio, aquele vento gelado varria a folhas das ruas dando um ar meio triste para aquela tarde pouco movimentada... Com poucas voltas conheci toda a cidade, passei pelo lago estacionei a moto andei pelo deck fui ate o píer contemplei a aquela bela paisagem a beleza da montanha, do lago límpido, a calma daquela tarde e eu ali quase que só a não ser por alguns turistas a beira do lago. Naquele momento de paz interior pude fazer minhas preces e agradecer o grande arquiteto do universo por poder estar vivendo aquele momento único, de poder estar ali naquele instante e podendo apreciar toda aquela obra da natureza...
Já era quase 16:00hs quando me dei conta que tinha um longo caminho de volta e pior ainda me lembrei que a estrada estava em obras e interditada em alguns trechos. Liguei a Moto e peguei o caminho da Ruta depois de uns vinte kilometros percebi que talvez precisasse abastecer pois, o consumo da moto foi alto e não queria arriscar e foi o que fiz, voltei para cidade para abastecer e para quem estava atrasado agora atrasou de vez.

12 de fev de 2011

Ruta 234 el camino de los siete lagos

San Martin de los andes não estavam em meus planos, felizmente e graças aquele motociclista do posto que fez aquele marketing da Parrilla Argentina. mudei de ideia  e resolvi  fazer el camino del siete lagos.E logo no inicio da Ruta, percebi que a cada curva que passava a viagem toda ia valendo ainda mais a pena, na verdade fui descobrindo que esse é um caminho indispensável para os amantes da Moto paisagem e para se ter uma ideia do que eu estou falando, valeu a pena todos os quatro mil kilometros para chegar até aqui para conhecer esses cem kilometros, afinal a cada curva, uma paisagem mais linda que a outra,Os sete lagos, os rios,as montanhas, o vulcão,a própria ruta, é sem duvida o melhor da geografia patagonica resumida em cem kilometros.
 Me arrependo de ter saído da Vila tão tarde, quase meio dia, pois eram tantos os lugares para parar e contemplar que o tempo foi ficando curto,cheguei em San Martin já quase no final da tarde, procurei o restaurante da parrilla e pelo jeito fui o ultimo cliente daquela tarde, o restaurante era lindo tudo muito bem posto, lindas garçonetes, porem era um restaurante voltado ao turismo tipo aqueles organizados pela CVC, muitos turistas pagando caro, porem a parrilla feita lá no quintal da Tóta em luiz guijon na grande Buenos Aires era muitíssimo melhor os chinchulines, os rinhones,a morcilla, a ternera. A do Pocho e da Tóta eram imbatíveis, mas eu tinha que esperimentar o Parrilla num restaurante e apesar de ter ido varias vezes a Argentina e ter morado la por três meses na época da guerra nunca tinha esperimentado parrilla num restaurante e confesso que não gostei.Não da para comparar com o nosso churrasco porque mesmo sendo churrasco são totalmente diferentes a começar que o nosso é assado com carvão e o deles com madeira, o que da um sabor levemente mais defumado em relação ao nosso, sem contar que os miúdos e os cortes são muito diferentes, deixo bem claro que não gostei daquele la se San Martin talvez ate por ter chegado tão tarde, mas aquele que esperimentavamos la no subúrbio de Buenos Aires ainda sonho com aqueles domingos que passávamos horas assando a parrilla,tomando vinho ou mate e contando piadas Brasileira para eles, até hoje tenho duvidas se eles riam porque entendia o que falávamos ou porque não entendiam nada, só sei que toda hora éramos elogiados nos chamavam de " boludo, pelotudo" só podia ser elogio porque eles riam muito.
Agua pura, tranparentes

 Primeiro rio logo no começo do ripio

Ao fundo o lago Machonico

uma tarde linda,porem um frio ...

o vulcão Lanin ao fundo

Olha que Ripio suave

Lago correntoso

lago villarino

lago escondido

Muito frio em La Angostura

Ontem a tarde enquanto abastecia a moto, percebendo que eu não era dali e sem que eu dissesse nada um motociclista parou ao meu lado, tirou um cartão do bolso e falou, vá amanha a San Martin de los Andes e esperimente a melhor parrilla da Argentina. Não estava em meus planos porque a minha intenção era sair cedo e ir directo para o Chile afinal  estava a poucos km da  fronteira e Puerto Mont  me esperava. mas quando amanheceu o dia resolvi ficar por  mais um dia ali na villa .Como eu acordei muito cedo, fui caminhar  pelas ruas da Villa e percebi, que, por aqui os costumes são outros. por causa do frio,á cidade só desperta depois das dez da manha. e por falar em frio aquela manha apesar do dia estar limpo fazia um frio de congelar gaúcho. voltei para o quentinho da pousada e fiquei esperando pela hora do café que por minha vontade seria servido as sete e não as nove como era o costume dali. eu estava impaciente pois parece que era só eu que estava acordado aquela hora e olha que já era quase oito da manha e da minha janela não via ninguém na rua e na pousada um silencio que era quebrado somente pelo ranger do assoalho que por mais que eu  não quisesse não conseguia disfarçar o barulho que minhas botas faziam naquele assoalho, cheguei a forrar o chão com tolhas, mas não adiantou muito. depois de tanto vai e vem meu, dentro do quarto, arrumando minhas coisas, deu a hora do café. fui para o restaurante e la estava o Rómulo arrumando as mesas e surpreso por eu ser o primeiro a estar ali tão cedo para tomar café. pareceu me que ninguém acorda antes das dez e ele mesmo que surpreso, me serviu uma deliciosa xícara de café torradas e geleias, afinal ainda não havia chegado os pães , falei pra ele que eu tinha acordado cedo para conhecer melhor a Villa e também iria conhecer " el camino del siete lagos" por isso a minha pressa pois queria fazer tudo naquele dia, já que amanha domingo eu iria para o Chile.ele pediu me para que tomasse cuidado, porque naquela madrugada havia caído a primeira geada do ano e que as estradas poderiam estar congeladas e lisas. agradeci o cuidado dele e fui buscar a moto que estava nos fundos da pousada, levei ela até a rua sem liga-la para não acordar os hospedes que ainda sonhavam...cheguei a pensar que a moto não pegaria porque ela passou a noite todo num frio de congelar a alma, mas ela pegou na  primeira. boa menina ...enquanto a cidade dormia fui para o deque da bahia brava, andei pelo centro e rumei para Ruta 234,"a ruta que me levaria a San Martin de los andes onde eu iria esperimentar a melhor parrilla argentina, isso segundo ao motociclista do posto" que para minha surpresa o caminho era cinquenta quilómetros de asfalto e setenta de ripio, surpresa porque pensei que essa ruta fosse toda asfaltada e não esperava que esse fosse meu primeiro ripio na patagónia, no inicio do ripio fiquei meio apreensivo, mas rápido eu peguei o gosto pelas as pedras redondas imaginei comigo se a Carretera austral for assim vai ser fácil. mais que eu imaginava.

truta deliciosa

Acordei bem cedo descansado e ansioso, afinal o dia prometia. Gostei tanto da villa que resolvi ficar por aqui mais um dia, vou aproveitar o dia para conhecer a Ruta dos sete lagos e ir almoçar a Parrilla em são Martin de los Andes e por falar em almoço, não poderia deixar de falar do jantar de ontem, que foi aqui no restaurante da pousada, O pequeno e agradável restaurante, rústico e típico da Patagónia e com um cardápio voltado com as mais simples receitas . fogão a lenha e cozinha aberta de frente para o salão, da minha mesa ouvia os estalos da madeira que queimava, e eu podia sentir o aroma dos temperos. o Romulo que era o Garçon, o chefe e também o proprietario, me ofereceu de cortesia uma taça de vinho enquanto aguardava a truta que já estava por vir, fiz um esforço muito grande para recusar o vinho, porque na verdade minha vontade era tomar uma garrafa toda ou até mais que uma," para mim a chegada até aqui era motivo para muitas comemorações" porem eu já havia prometido um mês antes que não beberia, era o meu segredo, com o grande aventureiro Danilão, meu filho.ainda hoje bebo toda e qualquer bebida desde que ela seja somente agua. A truta a mais simples e mais deliciosa que já esperimentei, guarnecida com uma omelete de ervas frescas apanhadas pela manha na pequena horta da pousada e já que dispensei o vinho, brindei com a melhor agua da Argentina, que na minha opinião era a "Villavicencio" e a sobremesa também simples e deliciosa a principio achei redundante a sugestão do Romulo que era pudim de leite, com Dulce de leche, pensei comigo, pudim de leite com doce de leite deve ser uma bomba, mas quando ele me trouxe aquela porção de pudim e do lado uma colherada do típico  doce de leite Argentino me deliciei com tudo,que, quase lambi o prato de sobremesa. Percebi nos olhos do Romulo a satisfação dele por ter me visto gostar tanto de tudo que me foi servido naquela noite e como só havia eu e mais um casal no restaurante naquela noite ele se sentou do meu lado e apesar da nítida timidez dele e da minha, conversamos sobre nossas paixões, a minha, viagens de moto e a dele, a rústica cozinha da patagónia, paixãoes essa que dividíamos muito bem, afinal apesar de não ser mais um chef de cozinha ainda amo, panelas, frigideiras, cardápios e as receitas. e ele como eu,também um grande moto viajante que num momento mais oportuno eu conto a historia das viagens dele.

7 de fev de 2011

Bariloche - Villa la Angostura

Uma sexta feira magica, um dia perfeito, o asfalto da Ruta impecável e a Moto cada dia mais companheira. Era assim que eu estava me sentindo naquela tarde, faltava poucos kilometros para chegar em Bariroche acabei de passar pela confluência traful e um pouco emocionado por seguir por esse pequeno trecho da Lendária Ruta 40 e já na minha cabeça fazendo planos para que num futuro próximo na volta do Ushuaia eu subiria por toda a Ruta 40 e imaginando o que diz a lenda a respeito dessa Ruta " Diz a lenda que quem sobe por toda a Ruta 40, vive um ano a mais" e  naqueles instantes que eu pilotava minha Moto por ali, já até computava em minha vida um ano a mais, pois estava planejado que o meu retorno seria por toda a Ruta 40.
  O lago Nahuel Huapi veio me dar boas vindas, me acompanhou dali da Ruta, até o centro da cidade, e apesar das boas vindas do lago,e não sei se pela época do ano, não me simpatizei com a cidade de Bariloche, fui até o hostel marcopolo inn, que eu havia feito uma consulta de reserva durante a madrugada la ainda em General Roca, preenchi minha ficha, fui conhecer o quarto comunitário e todo o hostel, porem não havia estacionamento para a Moto, pensei bem, pedi desculpas a Verónica recepcionista do hostal mas resolvi não ficar. Eu até poderia dormir na praça, mas minha companheira, a moto, tinha que ficar guardada.
 Foi então que me lembrei da dica do Oscar Milantoni e esposa, que me falaram para hospedar me em Villa de la Angostura, inclusive eles me deram um papel com o endereço e o nome da pousada , E como não gostei de Bariloche não pensei duas vezes e rumei para villa de la Angostura a 80 km. dali, no outro lado do lago Nahuel Huapi, Bariloche, monte Tronador os chocolates, iriam ficar para uma outra ocasião e se possivel no inverno pois era assim que eu imaginava Bariloche, inverno e muita neve.
 como ainda não era muito tarde fiz o retorno até a Ruta 231, caminho sinuoso e muito bonito, afrouxei o cabo e fui apreciando a paisagem o máximo que eu pude, só fiquei com a pulga atraz da orelha quando acendeu a luz de reserva do combustível e ainda faltava 60 km, para chegar na Villa, Sai tão decepcionado de Bariloche que me esqueci de abastecer a Moto, Não era ainda cinco da tarde quando cheguei, e antes de procurar a pousada fui logo no único posto de combustíveis da Villa. A minha primeira impressão do lugar foi ótima, era exatamente como imaginei que fosse. A pousada que o Oscar me indicou era bem na entrada da cidade tudo muito proximo ao pequeno centro.A pousada é linda, aconchegante, um chalé todo de madeira , um cheirinho maravilhoso que vinha do fogão a lenha do restaurante da pousada, na hora já imaginei e reservei uma truta rosa pescada ali num lago próximo e feita especialmente  para comemorar no jantar daquela noite, o final da primeira metade daquela viagem que até ali foi excepcional.Não poderia deixar de falar que o frio veio dar o ar da graça, creio que aquele foi o dia mais frio de toda a minha vida, guardei a Moto nos fundos da pousada e subi para um banho merecido e quente, na tipica banheira Argentina.Tomei meu banho,coloquei todas as blusas que eu levei e sai para conhecer a Villa, talvez por causa do frio e também por ser sexta feira as ruas do centro que na verdade a rua principal é uma só, estava muito movimentada, os cafés, las panaderias que são um requinte a parte, as sorveterias e por inclivel que pareça, um frio de congelar os dedos e as sorveterias todas lotadas, pelo menos quem toma sorvete por ali pode tomar com calma que ele não derrete e por falar em sorvete não poderia voltar da Argentina e não falar dos sorvetes em todo o pais os sorvetes são muito bons, mas os daqui da Villa são especialmente melhores principalmente o de "dulce de leche" e um maravilhoso, sabor zabaione a base de vinho branco, sem palavras para descrever o sabor e cremosidade dos sorvetes daqui, vários restaurantes na rua principal e nos arredores, interessante que mesmo os restaurantes mais modesto as mesas são muito bem postas, toalhas brancas, copos de agua, vinho branco, vinho tinto, talheres muito bem escolhidos, porem quanto ao cardápio posso falar muito pouco pois foram raras as vezes que almocei ou jantei em restaurantes nessa viagem, meu primeiro jantar seria naquele noite no restaurante da pousada Las Rocas, que eu já tinha deixado reservado uma truta rosa pescada recentemente num lago próximo dali, pelo menos assim foi o que garantiu o chef proprietario do restaurante.

Descanso merecido da Moto.

Me fez lembrar  Campos do Jordão

Hosteria que Oscar me indicou.

Pier as portas do parque nacinal Nahuel Huapi

Pier Bahia Brava
  As construções da Villa merece uma menção a parte, todas em madeiras. casas, lojas, farmácias, restaurantes,hotéis, pousadas, tudo em madeiras da região, fiquei sabendo por ali que a prefeitura só aprova projetos que na construção seja usados pelo menos sessenta por cento de madeiras da região, principalmente por se tratar de uma antiga villa de lenhadores e eles queriam manter a tradição, e na minha opinião deu muito certo, porque é a mais  linda villa de lenhadores que conheço.

6 de fev de 2011

São Carlos de Bariloche, logo ali.

Dormi bem, tanto é que acordei bem cedo, e minha intenção era sair bem de madrugada porem o pessoal do hotel sumiu, não tinha ninguém na recepção para abrir o portão do estacionamento. Então deixei tudo pronto na Moto, fiz a revisão diária, atei as mochilas e depois disso aproveitei o "WI-FI" da recepção liguei meu notebook e enquanto esperava fiz uma pré reserva no hostel Marcopolo inn de Bariloche, cidade que eu pretendia ficar pelo menos dois dias.
Já era mais de 5:30h. e nada de chegar o pessoal do hotel, resolvi não me stressar e sai para fazer uma caminhada pela cidade e valeu a pena ver aquela pequena cidade porem muito rica, acordar. Fiquei imaginando na imensidão no nosso planeta terra, as vezes a gente viaja kilometros e kilometros sem se quer ver uma viva alma e derrepente aparecem essas cidades praticamente no meio do nada, e com uma vida tão normal e agitada como a nossa "guardado as proporções é claro". é assim no Brasil, nos confins da Argentina também, e deve ser assim no Planeta todo.Outra coisa que me deixou encasquetado e se for como estou pensando, não sei porque ainda não copiamos, É o modelo de agricultura daqui, veja bem que sou um leigo em agricultura e posso estar falando besteira. Por ex. Essa cidade é um oases no meio do deserto e mesmo sendo no centro do deserto é considerada a capital da maçã e da pêra e imagino que essas frutas nessecitam de agua e como é que essa agua chega até as plantações? só pode ser por irrigação imagino, por se tratar de estar no centro do deserto apesar de saber que essa região desértica é cortada por grandes rios, tais como o Limay, Colorado, e Rio Negro que inclusive da o nome aqui ao estado. Comparando com o nosso nordeste que temos as bacias do rio Parnaiba e a do rio São Francisco a riqueza da agricultura do nosso nordeste ainda é pequena comparada ao que tenho visto aqui no meio desse deserto.
Voltando ao que interessa quando cheguei no hotel o café já estava sendo servido, café simples puro como eu gosto e duas media luna. Paguei minha diária, liguei a moto e pé na estrada.Nesses cinquenta kilometros que separa Grl. Roca de Neuquen, são as plantações de maçã, pêra, pêssego que dão o ar da paisagem, Logo que passo pela cidade de Cipollete entro numa avenida que eu poderia compara la a marginal Tiete a diferença é que la não há um rio a margem da avenida e a outra diferença é que na marginal não tem farol e aqui pude contar mais de quarenta faróis nessa avenida e peguei o horário do rush, transito infernal no meio da Patagónia, coisa que não imaginava nem em sonho, apesar de saber que iria passar por grandes centros tais a esse de Neuquen, mesmo assim fiquei surpreso.Depois que passei por Neuquem comecei a perceber as mudanças geográficas da região a viagem começou a ficar emocionante as curvas da pré cordilheira parece que vinham me receber de braços e almas abertas uma curva mais linda que outra o dia estava lindo o vento me acompanhava porem nada que tirasse o encanto de pilotar novamente pela aquelas Rutas ao pé da Cordilheira dos Andes.Senti ali naquele momento que a minha verdadeira viagem estava começando e uma felicidade invadiu a solidão de dentro do meu capacete, uma sensação de liberdade, é como se a natureza o homem a maquina e a Ruta se fundissem num só sentimento.E é nesse momento que justifica tantos meses de preparação, tantas noites mal dormidas e de sonhos acordado. Uma pena não poder expressar esse sentimento para meus familiares, meus amigos e todos aqueles que ficaram torcendo por mim, porque se eu pudesse assim fazer eles entenderiam com outros olhos o porque dessas viagens, que nós motociclistas fazemos, tão só, dentro dos nossos capacetes.
Aqui pela confluencia Traful passa a lendaria Ruta 40 
Trevo na saida de Neuquen
Ao fundo o Rio Limay

Ao fundo pode se ver a pré cordilheira

Qual Motociclista não se encanta com as curvas?





5 de fev de 2011

"Terra da Maçã "General Roca -Rio Negro

Na verdade meus planos para hoje era acordar cedo e acelerar rumo a Bariloche 960 km. acordei cedo,estava descansado, barriga cheia, mas imprevistos acontecem e foi o que aconteceu como relatei no post anterior, nada de stress tudo faz parte da viagem, E já que não deu para sair cedo como o planejado vou saindo agora quase 11:00 da manha de Santa Rosa e vou descendo devagar até onde puder ir hoje, talvez em Neuquem pensei comigo, mas em todo caso como já estava atrasado resolvi que iria aproveitar ao maximo aqueles caminhos de hoje, e foi o que fiz. E é Daqui dessa região que começa o grande deserto Argentino que apesar de ser cortado por grandes rios como o Limay, Colorado que juntos formam o  Grande rio negro, que da o nome a província. A região é muito seca e a estrada corta o deserto por kilometros e kilometros.Nesse trecho da estrada o interessante é ficar esperto com combustíveis e com alimentação pois os postos são raros e nem sempre há combustível nos postos, e é melhor levar o lanche porque comida por aqui não é algo fácil de se encontrar mesmo nas paradas. A paisagem como já falei é quase sempre a mesma deserto e deserto, mas como eu sou curioso e entro em qualquer lugar. e também já não estou mais com tanta pressa, procuro alternativas de paisagens, por ex. entrei por uma estrada que dava acesso ao projeto não me lembro se atómico ou nuclear mas logo no inicio da estrada de ripio li placas de proibido continuar, proibido sacar fotos, resolvi não continuar, Já que quem toma conta por lá é o exercito. Sem contar que nessa semana eu vi pela TV argentina o que aconteceu com turistas que tiravam fotos de uma usina nuclear lá na Venezuela, Hugo chaves mandou prende-los e a acusação era de espionagem. Já pensou?. Mais para frente também entrei numa estrada que dava no" Parque Nacional Lihue Calel" adentrei pelas serras do parque porem não era bem o que eu esperava encontrar, resolvi voltar para a "Ruta do deserto" como é conhecida a Ruta 152 e continuar meu caminho para a terra da "Maçã" que faltava 300km e já era mais de três da tarde, eu tinha pela frente muitos kilometros e muito sol. Foi numa parada para abastecer entre  Chipay e chelforo, que como obra do destino encontrei um casal de Moto viajantes ele Argentino ela Russa,  estavam a caminho de casa em Buenos Aires depois de uma semana de ferias em Villa de La Angustura e o que era para ser um encontro casual se tornou numa amizade e até hoje trocamos email sobre viagens de Moto, ali naqueles instantes trocamos dicas das Rutas, eles me deram dicas de onde me hospedar em General Roca, e também em ,villa de la angustura,caso eu passasse por la. Anotamos nossos telefones e email e seguimos nossos caminhos. Mal sabia eu que iríamos nos encontrar talvez por obra do destino muito em breve novamente , mas isso eu conto depois.Tiramos algumas fotos nos despedimos e foi cada um para seu lado, Oscar Milantoni e a esposa Lena com sua BMW GS 800 para o norte e eu seguia para o sul com minha XT 660R.
No mapa marcava 580 km., porem no odometro da moto marcou 710

Saindo do parque nacional Lihue calel

Ruta 152 "A Ruta do deserto"

Eu e Oscar Milantoni e a esposa Lena

Cheguei em General Roca mais de 8:00 H. da noite e o sol ainda forte

Monumento a la Manzana

Catedral  acendendo as luzes quase 10:00 da noite
 Resolvi seguir a dica do Oscar e passar a noite em general Roca no hotel que eles ficaram na noite anterior, porem ainda faltava uns  250 km. para chegar e o sol apesar de ser mais 4:00 h.parecia meio dia e o calor era insuportável, enrolei o cabo e autonomia da Moto era suficiente para chegar até a cidade sem precisar parar  e foi o que fiz, sem descer da Moto até chegar. Cheguei em general Roca por volta das sete da noite, porem o sol ainda batia forte no céu, fui direto ao hotel na rua principal da cidade, bem próximo do centro. Deixei a Moto no estacionamento e subi correndo para o apartamento para tomar um banho bem gelado, eu havia percorrido cerca de 650 km por estradas escaldantes, minha camiseta por baixo da jaqueta estava encharcada de suor. Tente imaginar o perfume que a jaqueta vai ficando ao longo do caminho...depois do banho me sentia muito descansado e apesar do sol que ainda pairava naquele horário, mais de 830h.,sai para conhecer a cidade que fiquei sabendo ali que se tratava da capital da Maçã.

4 de fev de 2011

Contra tempo na saida, porem novos Amigos

Já era quase 21:30 quando a moto ficou pronta, me despedi do pessoal da concessionaria e o Alfredo me fez questão de me acompanhar pela cidade até o hotel, porem antes apesar do meu cansaço que naquela hora era visível. ele me levou numa outra oficina e em mais duas lojas "moto peças" estávamos procurando uma graxa para a corrente e ele insistiu que teria que ser da mesma que ele usava na corrente da STRONG dele, como as duas primeiras lojas que fomos não tinha a tal graxa fomos na oficina do mecânico dele que gentilmente me vendeu uma lata da tal graxa branca sprey, não me lembro mais a marca nem o fabricante da graxa. E gostei muito alem de fácil aplicação ela se fixa na corrente e não se mistura com a areia a principal inimiga das correntes principalmente naquela região de deserto e ripio, e mais para baixo, ripio e neve.Voltamos ao hotel, apesar do Alfredo ter insistido para que eu me hospedasse na casa dele, mas a minha diária já estava paga e ele entendeu, nos despedimos mais uma vez. Subi pro meu quarto e desmaiei de sono e cansaço...
 Acordei cedo descansado e com fome fui tomar café e tive uma bela surpresa o café na manha desse hotel o Calfucura era bem parecido com o café servido nas pousadas aqui no Brasil, aproveitei e tirei o atraso muito bom o café , minha mochila já estava pronta a conta do hotel já estava fechada e eu alegre porque tinha adiantado tudo ontem a noite e poderia sair bem cedo hoje, porem quando fui amarrar a mochila e Fazer a revisão diária da moto percebi que o parafuso que prende o alongador do alforge tinha caído sem que eu percebesse, puts, me deu até um frio na barriga, onde é que eu iria encontrar um parafuso igual aquele na quela hora? la na oficina da YAMAHA eles abririam a loja só as onze da manha como é de costume por lá, foi quando o recepcionista do hotel percebeu que eu estava com problemas com a moto e veio em meu auxilio e me falou que ligaria para um mecânico próximo ali do hotel e se eu desse sorte ele abriria a oficina dele mais cedo só para me atender, aceitei na hora a sugestão do recepcionista e foi o que fizemos e o mecânico me atendeu de imediato.então eu fui até a casa dele onde ele me atenderia e  era lá que ele mantinha uma oficina para pequenas motos, depois que retiramos toda a muamba da moto, mochila,alforge, foi que conseguimos desparafusar o outro parafuso para que pudéssemos leva-lo de amostra para comprar outro, já que o Luigi Argentino descendente de italiano não tinha na oficina dele, ele pegou o parafuso de amostra saiu como um doido numa motinho minúscula e em menos de cinco minutos ele estava de volta com três parafusos iguaizinhos ao que tinha caído, demorou mais tempo para tirar as mochilas e o alforge. que ele sair comprar e colocar o parafuso de volta. tudo pronto e o Luigi trouxe mate para tomar-mos e celar ali uma nova amizade em Santa Rosa.Mais uma vez eu estava diante de um dilema de conciencia, O Luigi alem de ter comprado os parafusos com o próprio dinheiro não aceitou de forma alguma receber pagamento pelo serviço que ele fez, eu sempre gostei dos Argentinos desde quando tinha morado em Buenos Aires na época da guerra das Malvinas povo muito hospitaleiro, porem ali naquele caso, ultrapassou em muito, meu conceito de amizade e ajuda ao próximo. Muito obrigado Luigi, não só por ter me ajudado numa hora dessas, mas principalmente por ter me demonstrado como podemos ser generosos independente se conhecemos ou não as pessoas...J´era quase 10:00 da manha quando me despedi de todos que estavam por ali na oficina, alguns só estavam passando por ali e ficaram até que eu fosse embora.
Alfredo, motociclista argentino que me recebeu como se fossemos velhos amigos.

Desmontando as mochilas na oficina do Luigi.
Eu, de blusa morrom, Luigi ao centro e Ramiro.

2 de fev de 2011

Fazendo amigos numa concessionaria YAMAHA

Alfredo sentado na moto, la atrás Carlito e esposa do Alfredo e o mecânico que eu apelidei de marco por de parecer muito com o marcos aqui de São Paulo.
 Cheguei em Santa Rosa já passava das sete da noite e apesar do horário o sol ainda era forte, o odometro marcava 680 km mas a impressão era que eu tinha rodado mais de 1000 km pelo cansaço que estava sentindo, andei por algumas ruas procurando por hospedagem foi quando sem querer passei enfrente a concessionaria Yamaha e para minha surpresa apesar do horário estava aberta e parei para agendar a troca de óleo e fazer uma pequena revisão na primeira hora do dia seguinte e olha só a sorte que eu dei. o Carlito vendedor da loja me falou que la na cidade o comercio e serviços era comum todos atenderem até as oito da noite, devido a siesta que eles fazem a tarde e que se eu quisesse eles fariam a revisão ainda naquela tarde, porem que eu teria que esperar um pouco porque o mecânico não estava no momento, mas que ele Carlito ligaria para o mecânico para que ele retornasse o mais breve possível " E pensar que os  Brasileiros sempre fazem piadas capiciosas dos argentinos" nem aqui no Brasil nunca em nem uma concessionaria tive um atendimento desses, sem contar que o Carlito me indicou um otimo hotel ali próximo e ainda me falou que eu poderia ir para o hotel tomar banho e descansar um pouco que mesmo que passasse das oito horas eles me esperariam para entregar a moto pronta ainda naquela noite.E foi o que fiz, segui a dica do Carlito e fiquei no hotel Calfucura que fica na rua principal do centro e bem próximo dali. o hotel com uma hospedagem um pouco mais cara do que eu havia estipulado para os padrões daquela viagem, valeu todos centavos, uma otima e cheirosa cama, no banheiro como em quase todos os hotéis da Argentina, naquele padrão, tem uma pequena banheira, que mal me cabia la dentro, mas eu nem quiz saber do tamanho me encolhi e fiquei lá dentro com aquela agua bem fresquinha , tava tão bom que eu quase cochilei na banheira.Apesar do banho ter me reposto as energias ainda me sentia muito cansado, mas o dever me chamava e fui para oficina da concessionaria acompanhar a revisão da moto, minha surpresa é que quando cheguei o mecânico já estava concluindo a troca de oleo e faltava apenas algumas regulagens e lubrificação da corrente o mais interessante foi que o mecanico havia ligado para um moto club da cidade dizendo que havia um brasileiro fazendo revisão numa moto que eles não vendiam lá naquela região a YAMAHA 660 R. engraçado que aqui ela é uma maquina tão comum, porem lá ela ainda despertava muita atenção e o melhor ainda é que alguns deles foram lá para me conhecer e nem acreditei quando quando o Alfredo Rodrigues um dos que foram lá me conhecer, insistiu para que eu ficasse hospedado em sua casa...Ali naquele momento eu percebi o que na verdade eu já sabia é que a união dos verdadeiros motociclistas não existem fronteiras, nem preconceitos, nem classe social, somos todos de uma família muito especial. "E eu teria varias provas disso nessa mesma viagem. Quanto ao Alfredo Rodrigues é uma historia a parte que eu quero contar aqui no blog talvez no próximo post .Não sei se foi sorte, coincidencia, o qual quer que seja o fator, mas ali naquela loja YAMAHA alem do otimo atendimento que eu sei, foi fora do normal , fiz amigos que vão ser lembrados para o resto da vida.
Hotel Calfucura- av. principal de Santa Rosa.
Foto que eu tirei, pelo retrovisor da moto do Alfredo se via a loja YAMAHA.