12 de mar de 2011

Bariloche - Buenos Aires

Todas as vezes que volto a Buenos Aires, faço questão de passar pelo terminal de trem de Retiro.  As imagens tristes que trago dali ainda me marcam até hoje, esteja eu onde estiver.O ano era 1982 coincidentemente como agora, também era um mês de Abril, estávamos todos ali para nos despedirmos do nosso recente amigo Oswald que tinha sido recrutado para lutar na guerra das Malvinas. Talvez tenha sido um dos dias mais tristes que eu tenha passado, estavam partindo de trem para Bahia blanca os soldados que dariam suas vidas pela a pátria. E a lembrança que não me sai da memoria é a dos trens que partiam carregados de tanques, canhões,todo tipo de armas e  soldados. Falando assim parece simples, mas ver aquela multidão de mães, pais, irmão, tios, amigos, todos, aos prantos se despedindo daqueles que para muitos seria a ultima despedida era impossível também não chorar,é como se o choro fosse um contagio em todos os rostos, independente se tinham ou não parentes partindo para guerra, choravamos  como se fossemos todos irmãos.Aquela sensação de ter vivido numa Argentina em guerra marcou muito minha vida, Percebi que tristeza ,alegria e todos os outros sentimentos não tem fronteiras, sinto um aperto no coração, quando Brasileiros se sentem bem e dizem felizes que o Brasil é um país de paz porque não há guerras por aqui. Quer dizer que esta tudo bem se for eles que tiverem que mandar os filhos para guerra?
 Desembarquei em Retiro, dezoito horas depois que embarquei em Bariloche . Apesar da chuva fina preferi não pegar táxi, em poucos minutos estava na avenida De Mayo, me hospedei no hotel Novel ao lado do café Tortoni e próximo de tudo que teria que resolver naquela semana.
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9 de mar de 2011

Voltar de onibus não estava nos planos.Muito menos imaginar a Moto sendo transportada num caminhão.

Apesar do que aconteceu enquanto estive em Villa Angostura, com certeza voltarei aqui outras vezes se possivel no inverno quando a neve estiver na altura das janelas, mil vezes aqui que Bariloche que tambem é muito béla porem incomparavel com a beleza rustica de Villa.
Carregamos a Moto no caminhão e partimos, decemos a avenida e já chegando a Ruta que nos levaria a Bariloche olho para traz e ainda vejo as ultimas casebres da Villa, me despeço silenciosamente daquele lugar que amei como numa paixão a primeira vista. Seguimos nosso caminho e em menos de duas horas estavamos em Bariloche na porta da oficina que o luiz me indicou.Se é verdade que as aparencias enganam, dessa vez ela me enganou, porque naquele lugar não teria coragem de deixar nem minha bicicleta, quanto mais minha companheira de viagem. Manoel Cespedes motorista e amigo de primeira hora me consolou dizendo-me para ficar tranquilo que iriamos procurar outras oficinas até que encontrasse uma do meu agrado, resolvemos então que passarimos na autorizada YAMAHA de Bariloche, aconteceu que ela estava fechada para a ciesta só abriria depois das quatro."Pensei comigo , daqui a pouco anoitece e eu fico com a Moto na rua". E como o Manoel Cespedes já havia me falado que conhecia todas as transportadoras de Bariloche, decidi naquele momento que iria mandar a moto para Buenos Aires via transportadora e lá eu decido o que vou fazer. Na primeira que fomos cobraram uma fortuna e só enviariam na quinta feira, tentamos a segunda transportadora, chegamos lá eles tambem estavam fechando para la ciesta, mas consegui espricar minha urgencia e eles me receberam para fazer o orçamento do frete que ficou em $ 960,00  Pesos Argentinos, uma ninharia comparado ao que me cobraram para trazer a Moto la do lago falkner até a Villla, alem do mais a Moto seguiria ainda aquela tarde para Buenos Aires. achei tão barato que fiquei meio na duvida se a Moto chegaria no destino, sem contar que eles iriam drenar o restante do combustivel e oleo do carter antes de embarcar, " constatei depois que não drenaram nada nem o tanque nem o carter". Outra coisa que constatei depois é que se tratava de uma das melhores transportadoras da Argentina, Tranportadora Cruz Del Sur , voces estão de parabens, fui muito bem atendido tanto em Bariloche quanto em Buenos Aires na retirada da Moto.
 Com os tramites todos concluidos o Manoel Cespedes me deixou na rodoviaria de Bariloche, " Manoel Cespedes é mais uma dessas pessoas que vão ficar para sempre no meu coração, total dedicação a um desconhecido, era para ser somente mais um a prestar serviços, porem fez o trabalho dele com tamanha dedicação que nos tornamos amigos, trocamos email até hoje, ele sempre me convida para que da proxima vez  fiique hospedado em sua casa em Villa de la Angostura, esse cara  entregou muito mais do que eu poderia pedir e receber, certas coisas não da para entender, nunca tinha-mos vistos , não passamos mais que cinco horas juntos e fizemos uma amizade que vai durar muito, com certeza me hospedarei em sua casa amigo, até breve.
Rodoviaria de Bariloche. Mochileiros para todos cantos que olho, impossivel não me lembrar do meus tempos de mochila.
 Consegui comprar passagem para Buenos Aires no proximo onibus que sairia as 17:00 hr. Tudo resolvido rapidamente e amanhã por volta das 12:00 hs vou estar em Buenos Aires, estava triste por minha Moto  seguir de transportadora mas já que tinha que ser assim, que seja então, pelo menos vamos chegar quase juntos na capital.

A imagen triste dessa bandeira Argentina. Expressava bem como me sentia naquele dia.


Foto Dan e Camila: Bandeira Argentina, como eu. triste cinza e rota .
Instintivamente sempre planejei para que eu dependesse o minimo possivel do tempo e da pressa alheia, cada pessoa tem a sua urgencia e por entender isso sempre procurei entender melhor os caminhos que me levam aos atalhos, e como eu faço isso? já até falei; é quase por instinto; as leituras, as pesquisas, os conselhos, as criticas, são ferramentas na construção das minhas urgencias e sempre me sai muito bem com os problemas que se quer existiram o qual dedico o exito a minha instintiva preparação.
Porem nessa manha fria de domingo uma anciedade tomava conta do meu peito, esse fato não previsto por mim estava me deprimindo, principalmente porque não conseguia me espressar com clareza e as pessoas não entendiam muito bem nem o que eu falava e muito menos das minhas nececidades, apesar de ter morado alguns meses em buenos Aires, meu espanhol era basico para quem esta a passeio e minhas nececidades agora eram outras, por ex.  oficinas, transportadoras,mecanicos,peças,auto peças,translado,documentos etc. eu conhecias as palavras porem não conseguia associa-las ao que eu precisava.que na verdade era conseguir transporte para retirar a moto de Villa angostura e leva-la a Bariloche numa oficina indicada pelo pessoal da pousada, o probrema é que nada aconteceria até segunda apos as onze da manha quando as coisas por aqui começam a funcionar, só me restava esperar. " pra falar a verdade até agora não entendo porque fiquei com aquela anciedade desesperada afinal de contas só faltava 30 horas , que para mim pareceram 30 dias" Voltei para a pousada angustiado por não ter conseguido ninguem para levar a Moto, resolvi me enfiar nas cobertas e dormir o maximo que eu pudesse na esperança que  o tempo passasse mais rapido e foi o que fiz, não sai do quarto nem para almoçar nem para jantar.
Durante a noite me lembrei de ter visto um ponto de taxi na cidade, cheguei até a pensar de que sobreviveria um taxista numa cidade tão pequena. E quando a segunda feira chegou, tudo já estava bem claro e planejado e para minha surpresa até o tempo estava sorrindo para mim, nada como uma manhã ensolarada para que o animo retorne para se resolver o que tem que ser feito. Logo pela manhã fui em duas transportadora que mais parecia o nosso correio a diferença é que alem de cartas eles transportam todo tipo de cargas inclusive a Moto, a má noticia é que só poderiam levar a moto na quarta feira, fiquei desanimado mas não desisti, fui até o ponto de taxi e consegui expricar ao taxista o que eu precisava e na hora ele me levou a casa de Manoel Cespedes, camioneiro, que nas horas vagas faz pequenos fretes, as coisas voltaram a dar certo, o frete que ele tinha para hoje acabaram de cancelar, então combinamos que em uma hora ele estaria na pousada para me levar a Bariloche. Foi o tempo nessessaria para arrumar minhas coisas, fechar minha conta e me despedir do Romulo o Chef,  que mesmo sem poder abandonar sua cozinha se empenhou em me manter animado durante aquele interminavel domingo. No horario marcado o Manoel Cespedes chegou com seu Hiundai HR pequeno caminhão na medida certa para transportar a Moto. Saimos  de Villa de la Angostura exatamente ao meio dia.

5 de mar de 2011

Quem disse que viajo só?

De sábado para domingo foi uma longa noite, senti dores no corpo todo, principalmente no ombro, já me arrependera de não ter ido ao medico como o Pancho queria que eu fizesse. Pra falar a verdade nem sei porque recusei ir ao medico, estou cansado de saber que por menor que o acidente seja, o certo é ir imediatamente ao medico, porque mesmo que aparentamos estar bem não sabemos como estão as coisas lá dentro. Comecei a me lembrar do acidente e da pancada que eu recebi nas costas, e no meio da madrugada fiquei em pânico porque sentia varias dores, Será que eu estava arrebentado por dentro? mas teimoso que sou, resolvi esperar amanhecer e se caso não melhorasse pediria ajuda ao luis dono da pousada. resolvi por minha conta tomar um comprimido potente que eu havia levado para se caso sentisse dores na coluna e não é que deu certo, amanheci bem melhor até o ombro melhorou. Quem ainda pensa que não existe anjo da guarda é melhor repensar, porque eles existem e eu posso afirmar, não só porque amanheci bem melhor, mas um fato que até agora me intriga e que o Guarda Parque chegou a comentar comigo é que quando cai la na Ruta eu e a Moto batemos nos pilares de concreto e dentro desses pilares todos tem dentro deles para reforçar a estrutura uma barra de ferro, o que a moto bateu inclusive tinha dois, por isso o estrago que ela sofreu foi grande. E como num milagre o pilar que eu bati não tinha ferro nem um dentro, era só o concreto. Veja só o que aconteceu, quando eu bati as costas, o pilar se quebrou e amorteceu a minha batida deixando que eu continuasse deslizando o que não aconteceu com a moto que travou no impacto com os ferros do pilar ai é que entra o milagre, sorte, anjo da guarda, observado pelo guarda parque que quando chegou para me socorrer viu que no pilar que eu bati não tinha ferros dentro dele, uma falha segundo ele na construção que salvou a minha vida, porque caso houvesse o ferro seguraria o impacto e provavelmente o meu corpo não resistiria ao choque. Milagre, sorte, anjo da guarda? . Apesar da raiva que eu senti de mim mesmo na hora do acidente, minha fé em Deus sempre foi inabalavel, porque se não fosse pela fé que tenho nele jamais faria viagens solo. Muito obrigado meu companheiro de viagens, voce não me abandonou, devo a voce Deus tudo que me tem dado e para que minha divida seja amenizada continuarei retribuindo a minha eterna gratidão a ti, colocando-me a disposição a todos aqueles que a mim precisarem.

Somente com o orgulho ferido.

Numa camionete Mitsubishi L 200 cortando o ripio da Ruta dos Sete Lagos, era assim que começava meu retorno inesperado da patagónia, já não me importava mais com as paisagens. Nem o frio que insistia em castigar-me ainda mais conseguia dissolver meus pensamentos.O pancho me deu varias alternativas para o que fazer com a moto, me falou de um mecânico em San Martin de los andes campeão Argentino de moto enduro que poderia me ajudar a colocar a moto para andar novamente, disse também que se não conseguisse-mos peças para moto, poderia deixa-la em sua casa em San Martin até Agosto e em seis meses, depois do inverno, voltaria com as peças do Brasil e continuava a viagem, me falou também que em villa de la Angostura dificilmente conseguiria peças e mecânico.... a minha cabeça estava quase estourando de raiva pois nem uma alternativa era viável, cheguei a pensar seriamente em abandonar a moto com o Pancho, porque eu já sentia que nem em Buenos Aires eu conseguiria arrumar a moto, pior ainda suspeitava que tinha dado PT na moto, mas mesmo assim resolvi não abandona-la, decidi que iria leva-la para o Brasil mesmo que custasse mais que uma moto nova.
Chegamos na pousada em Villa Angostura, descarreguei a moto nos fundos da pousada, o Pancho insistiu que queria me levar ao hospital, argumentei que me sentia bem e que estava muito cansado, porem, se caso sentisse dores durante a noite pediria ajuda na pousada, paguei os 300 dólares dele, nos despedimos e subi para o quarto. Estava cansado, quebrado, machucado, e com uma puta dor no peito, mas não se tratava de dor da pancada e sim de uma dor esquisita, me sentia despreparado para aquela situação " quem viaja de moto sabe o que eu vou falar, quando chegamos com a moto em qualquer lugar somos bem recebidos, despertamos curiosidade, é inclivel como uma Moto abre portas". Porem de agora em diante até o meu espanhol de turista que todos entendiam, passa a ser um espanhol que ninguém entende, já não era mais um turista, era apenas um Brasileiro com um problema para resolver. "Pelo menos era assim que me sentia, mas na realidade todos os Argentinos que cruzei me trataram como irmão, principalmente depois do acidente."
 Enchi a banheira com agua bem quente e apesar de estar todo dolorido, tomei um banho bem demorado, fiquei pensando como é que daria aquela noticia lá em casa, eu sabia que mesmo que eu dissesse que não tinha acontecido nada comigo eles vão pensar que estou minimizando para não preocupa los.
 Depois do banho, meu ombro começou a doer muito, não conseguia fazer alguns movimentos com o braço, mas mesmo assim sai da pousada fui procurar um locutorio para ligar para casa, não achei nem um aberto acho que pelo frio e pelo pouco movimento da cidade naquela noite de sábado, meu celular não funcionou , e o telefone da pousada não estava fazendo ligação internacional. sozinho, acidentado, quebrado e sem poder me comunicar, puts, que vontade de falar palavrão, pior que nem adianta ninguem vai entender!!!.
Liguei meu laptop e justo naquele dia por incrível que pareça não tinha ninguém on- line no MSN, nem no ORKUT  naquele horário, nem parentes nem amigos e eu desesperado querendo falar com o Vitor meu caçula, com a Liliam minha filha que mora em londrina, com o Danilo, com a Deise e nada ninguém on- line, resolvi então entrar no jogatina um site de jogos que eu costumava jogar tranca de vez em quando e pelo o chat do Jogatina dei o numero do meu telefone em casa e pedi aos jogadores da mesa que ligassem em casa e avisasse para alguém ligar o computador que eu queria falar com eles pelo MSN, a principio ninguém da mesa acreditou que fosse verdade o que estava pedindo a eles, mas de tanto que insisti a Silvia uma das jogadoras ligou la do Espírito Santo em minha casa em São Paulo e conseguiu dar o recado ao Vitor, que na mesma hora ligou o MSN e consegui dar noticias do acidente a eles.Fiquei sabendo depois que naquele espaço de tempo em que a Sílvia a jogadora do Jogatina ligou até que conseguissem falar comigo pelo MSN a noticia correu rápido entre amigos e familiares e alguns deles chegaram a pensar que havia acontecido o pior.  Mas felizmente apesar de dolorido eu estava bem e pude dar boas noticias.

3 de mar de 2011

Socorro no camping Falkner

aguardando socorro no camping falkner   (foto do site)
No caminho para o camping o guarda parque deve ter entendido o meu silencio,  a única coisa que ele me perguntou é se eu estava bem o que eu respondia que sim com um aceno de cabeça, porem, era visível que nada estava bem, aquele sentimento de raiva e de decepção com aquele acidente me tomava conta dos pensamentos, naqueles instantes me deixei levar pela angustia e o nó que sentia na garganta deixou de ser uma expressão e ficou tão real que eu mal podia falar... Em poucos minutos chegamos e o Pancho zelador do camping me recebeu me deitou num banco ao lado da da mesa me trouxe agua e pediu para que eu ficasse ali até que eles conseguissem entrar em contato com o socorro em Villa Angostura a 100 km dali ou com meu seguro no Brasil. De onde estava conseguia ouvi los e as noticias não eram boas, socorro para moto só no dia seguinte e me cobrariam 600 dólares para busca-la, e socorro para mim ia demorar de quatro a cinco horas e quanto ao seguro falei para desistirem, porque eu havia feito um seguro que só valia no Brasil. falei ao Pancho que quanto a mim estava tudo bem, não precisava de socorro o problema era a moto, Foi quando ele me ofereceu para levar-me em Villa Angostura por 300 dólares, Argentino rápido nos negócios, ou esperava o dia seguinte e pagava 600 ou poderíamos sair agora e pagar 300 aceitei na hora. em poucos minutos conseguimos colocar a moto na camionete dele. Pedro Alcido o guarda parque me explicou que como eu não havia colidido com outro veiculo nem machucado outras pessoas ou animal e não ter causado prejuízo a ninguém a não ser a mim mesmo, que eu poderia ir embora sem precisar fazer ocorrência, e quanto aos dois pilares de concretos que eu e a moto quebrou ele faria vista grossa e que dali por diante estava por minha conta caso eu aceitasse o auxilio do Pancho. Agradeci ao Pedro por livrar-me daquela burocracia, me despedi e fomos rumo a Villa Angostura.